Nota de pesar pela perda de Zé Celso Martinez

Enviado por difusao em Qui, 06/07/2023 - 14:43

É com imenso pesar que o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL/IFCH/Unicamp) e o Instituto de Ciências Humanas da Unicamp (IFCH) que receberam a notícia do falecimento de Zé Celso Martinez Corrêa (1937-2023).

Zé Celso foi um dos fundadores do Grupo Oficina Uzyna Uzona - Teatro Oficina, o mais longevo grupo de teatro brasileiro, que revolucionou o teatro e as artes no Brasil. Com uma proposta cênica e de arquitetura teatral, Zé Celso reapresentou o teatro brasileiro para o mundo, com sua direção inovadora, crítica e sagaz.

Recentemente o projeto arquitetônico do Teatro Oficina, assinado por Lina Bo Bardi, recebeu o título de melhor teatro do mundo, pelo jornal The Guardian, demonstrando mais uma vez a potência de Zé Celso e sua capacidade aglutinadora de talentos e vivacidade.

Na batalha pelo teatro e pelas artes, Zé Celso foi um dos encabeçadores do projeto do Parque do Bexiga, do tombamento do Teatro Oficina, na denuncia contra a ditadura e na luta pela democracia e pela cultura de forma incansável. Quando as artes foram atacadas pelos governos de plantão, no século passado e neste, Zé Celso utilizou sua voz, sua audácia, sua arte e seu corpo para a construção coletiva de atos e campanhas na defesa dos direitos do povo brasileiro e do povo oprimido em todo local que estivesse.

Como diretor de cinema, dirigiu e produziu junto com Celso Lucas os filmes “O Parto” e “25” que retratam, respectivamente, a realidade portuguesa pós Revolução dos Cravos e a Revolução da Independência de Moçambique.

Zé Celso é parte da nossa história, da história de São Paulo e do Brasil, mas mais do que isso, é inspiração para aqueles que sonham e lutam por um país e um mundo mais justo e igualitário.

Em sua visita ao AEL, em 2008,  Zé foi recebido pelos estudantes com o canto “Tupi or not Tupi”, e é esse espírito antropofágico que evocamos nesta despedida. Que seus amigos, familiares e admiradores consigam superar sua trágica perda, e que o teatro nacional continue a honrar seu legado.

O AEL mantém em seu acervo a documentação do Teatro Oficina de sua criação até 1986, com acervo totalmente organizado, digitalizado e acessível. Para maiores informações sobre o acervo, acesse https://redisap.unicamp.br/index.php/br-spael-to#wrapper

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